sábado, 4 de dezembro de 2010

São novos os problemas da educação?



Marco Antônio Bomfoco

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgou recentemente comunicado sobre a situação da educação brasileira. A pesquisa vale-se do retrato estatístico do IBGE para analisar a evolução da educação no Brasil e a escolarização da população no período de 1992 a 2009. O objetivo do IPEA foi identificar os problemas e os possíveis avanços no quadro da educação.

Entre os problemas apontados, destacam-se as dificuldades de acesso ao ensino médio, a falta de acesso das crianças mais pobres à educação infantil, o analfabetismo, a repetência e a evasão escolar. Ainda segundo o comunicado, os desafios para os próximos anos são: repensar os atuais programas de alfabetização de adultos, acelerar o acúmulo de escolarização da população e melhorar a qualidade de ensino em todos os níveis.

O IPEA criou um novo indicador denominado “hiato educacional” a fim de medir a quantidade de anos de estudos que faltam àqueles que estão abaixo da meta da educação (oito anos de estudo), conforme as diversas faixas etárias da população. Segundo o comunicado, apesar dos avanços, por exemplo, na faixa de 15 a 17 anos o hiato caiu para 2,8 anos de estudo, o hiato educacional ainda é muito elevado. Além disso, o dado apresentado se mantém o mesmo desde 2004.

Como conclusão, o estudo aponta que a obra educativa reflete, em sua evolução, as contradições do nosso modelo de desenvolvimento. Em outras palavras, as diferenças de renda são determinantes nos resultados que a educação alcançou até agora. Na verdade, a origem social continua determinando largamente o percurso escolar do jovem brasileiro. Por exemplo, há uma diferença de mais de cinco anos de estudo entre os mais ricos e os mais pobres. Do mesmo modo, a taxa de analfabetismo entre os mais pobres é nove vezes superior à verificada entre os mais ricos.

Hoje temos perto de 97% das crianças na escola, mas esta ação não foi acompanhada por reformas pedagógicas internas. E o sistema não parece ter como enfrentar a repetência e a evasão escolar. Dessa forma, a conclusão deste nível ainda não atingiu a universalização. Convém lembrar que as complexas mudanças culturais pelas quais a sociedade vem passando nos últimos quarenta anos mal começaram a ser absorvidas pela escola, que, é claro, não é capaz de lutar sozinha com os problemas sociais advindos dessas mudanças.

A leitura do comunicado do IPEA nos faz pensar que as deficiências na educação refletem também nossas contradições culturais. A educação é, sem dúvida, um elemento de um conjunto mais amplo de transformações. Todavia, a escola não tem com quem compartir seus problemas. A escola está sozinha.