"Não pense, olhe!" (Wittgenstein)Neste ponto, podemos dizer, então, que a filosofia não passa mesmo de um processo. Em outras palavras, a filosofia não nos dá conhecimento, mas compreensão, e isto pode ser frustrante, como notou Sir Anthony Kenny. Por sua vez, Wittgenstein toma esta compreensão filosófica mais como a experiência de uma viagem do que como a chegada a um destino. Em síntese, para Wittgenstein a filosofia é processo ou atividade. Finalmente, estas reflexões nos levam de volta à Grécia clássica. Parece que estamos sempre voltando "para casa" em filosofia. Por isso, perguntamos: a busca pela essência das coisas como meta instigada por Sócrates tem algum sentido? Depois de tantos séculos, a postura fundacionista parece estar perdendo a razão de ser. Seja como for, e aqui vem a sugestão de Wittgenstein, precisamos, talvez, entender a filosofia ou a busca do conhecimento como uma busca de clareza. Sendo assim, indo de encontro ao anseio por generalidade, devemos concluir, com Wittgenstein, que não é mais possível desprezar o dado particular, mas considerar que ao montar um modelo de descrição do fenômeno ou dado em estudo já fizemos tudo ou quase tudo que era possível para conhecê-lo. Afinal, Wittgenstein reconheceu que a estrutura lógica da linguagem poderia ser visível na sua superfície. O sábio austríaco não queria propor teorias. Mas descrever em detalhes o que se passa: nisto resume-se sua análise. Em síntese, cabe ao filósofo "colocar as coisas" com clareza. A abordagem wittgensteiniana é, portanto, descritiva. Sua contribuição para a história da filosofia centra-se no método.
2 comentários:
Dindo, que orgulho. Não é pra ficar 'se achando', hehehe. Tu és o meu ídolo!
Te amo!
Caro Bomfoco.
Válidas suas reflexões sobre Wittgenstein. Infelizmente no Brasil o sábio vienense ainda não é tratado com o devido respeito. Com o tempo as coisas vão se colocar de maneira clara.
Concordo com você quanto à sua ênfase na filosofia como processo. Das minhas leituras de Wittgenstein - e alguns dizem que ando com um crachá "wittgensteiniano" - também pude perceber que a filosofia é tomada sob o ponto de vista da libertação humana de suas fixações (um tanto freudiano, mas não é bem assim), me explico: somos fixados em respostas objetivas, à toda prova e segundo os princípios verdadeiro/falso. Além disto estamos sempre comparando - para o bem e para o mal - todas as áreas do saber com os métodos da ciência. Wittgenstein é um alívio, pois o mundo da filosofia fica claro, amplo.
Arturo
Postar um comentário